11 agosto 2017

Pipoco procura o post perfeito

Qual será o post perfeito para ficar aqui prantado uns pares de semanas, coisa que o respeitável público passe por cá para ler e diga, sim senhor, que belas palavras Pipoco aqui tem, não me canso de absorver a grandeza de tamanho saber, tudo isto sem se aborrecer por não haver por cá escritos novos, uma espécie de famous last words que perdurarão até ao fim do ano Pipoqueano, enquanto Pipoco calcorreia montanhas muito altas com o seu Nokia de fazer chamadas, que para pouco lhe servirá porquanto nas montanhas muito altas o conceito de ter rede é uma coisa abstracta, que tanto pode haver como não?

09 agosto 2017

Ruben Patrick arrasta-se até às férias. Enfim, como os piolhos...

Nem Ruben Patrick, que, notem bem, é Ruben Patrick, se lembraria de prantar o seu rico filho num retrato a segurar um remédio para os piolhos num anúncio que diz duas vezes lá nas letras pequeninas que aquilo é coisa para manter fora da vista e do alcance das crianças.

Um horror, mesmo para Ruben Patrick.

Ruben Patrick tenta movimentar-se no centro comercial Colombo. Por entre indivíduos que envergam maioritariamente camisolas do glorioso. Enquanto arrastam sacos da Primark. E ingerem hambúrgueres do Mc Donalds. E se chamam uns aos outros em voz alta. E falam francês.

08 agosto 2017

Fui ao interior e ouvi rádios regionais

Há na obra de José Cid toda uma afronta às mulheres, coisa merecedora de se transformar no ponto de mira das nossas infatigáveis tribos feministas, vejamos, Cid em "A cabana junto à praia" transporta-nos para o mais mítico de todos os fetiches masculinos, o da mulher que aparece à porta da cabana enquanto um homem fuma um cigarro mas que, e é aqui que está a beleza da coisa, intuímos que ela se vai embora mal nasce o sol, em termos de imaginário masculino isto é material sagrado, muito melhor que trigémeas enfermeiras, mas é este mesmo Cid, o homem taciturno que tem uma cabana na praia, que imaginamos tenha apenas meia dúzia de livros de Hemingway e Bukowski, whisky de malte e uma caixa de charutos, talvez uma cana de pesca e uma boa camisola de gola alta, é este mesmo Cid , dizia eu, que vive uma prazenteira vida a dois em "Favas com Chouriço", onde não falta um emprego das nove às cinco, crianças que dormem a sono solto logo a seguir ao jantar carinhosamente cozinhado pela esposa que, mal tocam as badaladas das cinco da tarde, já está a ligar para Cid, indagando se ele se demora muito, talvez esta seja a mulher que com quem ia brincar depois das contas de multiplicar, uma relação nascida na inocência da infância, que Cid promete só findar quando forem velhinhos, é este amor eterno que Cid delapida, saindo de casa nos subúrbios durante a noite, enquanto a esposa dedicada dorme em lençóis de linho aspergidos com  aroma de jasmim e as crianças sonham com anjinhos protectores, enquanto Cid, ignorando o Renaut 5 estacionado junto ao passeio, arranca veloz numa Kawasaki 900 Enduro, rumando à cabana junto à praia, cabelos ao vento, sem capacete, colocando em risco um eventual prémio de seguro de vida em caso de acidente fatal, pensando apenas na volúpia, regressando de madrugada a casa, enquanto a dedicada mulher lhe sorri, feliz, quando ele explica que saiu apenas para lhe trazer uma flor silvestre, que ela colocará no cabelo ... (podia estar nisto o dia inteiro)

07 agosto 2017

Sobre aquilo da mama

Em Alvalade há muito melhor.

E sem aquele anel inenarrável no dedinho...

06 agosto 2017

Uma coisa nova por dia


(ou uma espécie de "O que vês da tua janela, Pipoco?" no Bugio)

03 agosto 2017

Daquilo lá do restaurante

O que mais me chocou foi eles escreverem "perzuto" nas facturas.

02 agosto 2017

Recados para uma montanha que vai ficar com Pipoco alguns dias em agosto


  • Pipoco não come dessas barritas de fruta concentrada que dão um boost de energia, diz que lhe ficam a trabalhar no estômago. Providencia amoras nas altitudes até mil metros e ele há-de arranjar-se com nozes e amêndoas quando o levares acima dos dois mil metros.
  • Pipoco é obcecado com o peso que leva às costas, sempre foi assim e não está a melhorar com a idade. Por isso Pipoco estará quase sempre em autonomia, sê gentil com os horários dos pontos em que se poderá comprar presunto pata negra e vinho de Bordéus durante o trilho.
  • Pipoco está mesmo a precisar destes dias de paz. Apesar de ter decidido levar um Nokia desses que só fazem e recebem chamadas, providencia que não haja rede em nenhum ponto do percurso.
  • Pipoco não é adepto de bebidas isotónicas e só leva dois litros de água, por isso faz com que surjam pontos de água potável a cada quatro horas de caminho.
  • Faz com que os abrigos de montanha sejam acolhedores e com gente interessante com quem se possa falar um par de horas quando o sol cair. Se não for pedir muito, providencia gente que não ressone nem maluquinhos da escalada que se levantam às quatro da manhã.
  • Faz com que não chova nem faça muito calor. Um tempo de céu encoberto com esporádicas abertas e uma temperatura entre os vinte e os vinte e dois graus Celsius estará muito bem.
  • Trata de que não haja gente muito faladora durante o percurso, que seja só daqueles que dizem "hello", perguntam de onde somos, digam que já estiveram um par de vezes no Algarve e sigam o seu caminho.
  • Elimina do percurso os caminhantes que desatem a falar do Cristiano Ronaldo quando vêem a pequena bandeira portuguesa da mochila.
  • No final dos dias de montanha, que o hotel tenha rigorosamente tudo aquilo que anuncia. Incluindo as massagens e o chuletón de buey.

31 julho 2017

Ah, o Algarve em Agosto...

(Pipoco está ansioso para publicar os retratos que ilustrarão o período das suas curtas, porém bem merecidas férias, que encabeçará, conforme a tradição, com o título "Ah, o Algarve em Agosto...", vincando bem a sua preferência por lugares inóspitos e inexplorados, apenas acessíveis aos mais capazes dos machos-alfa, ao mesmo tempo que desdenha da má sorte dos desafortunados a quem não resta outra possibilidade que não seja a de rumar a sul em pleno mês de Agosto)

Começar um blog não é difícil...

..., há sempre tanta coisa para contar das nossas vidas, ele é o baton novo que parece que funciona mesmo, ele são as tropelias dos nossos petizes, sempre tão vivaços e avançados para a idade, benza-os deus, ele são os nossos estados de espírito, hoje sinto-me assim, amanhã sinto-me mais capaz de enfrentar o mundo, ele são os progressos nisso das corridas, enfim, ao princípio não há impossíveis, parece que nunca falta tema e quando nos parece que hoje não há nada para contar, podemos sempre tirar retrato aos pés enterrados na areia da praia ou publicar retratos do ano passado como se tivesse sido hoje.

 Difícil é isto.

30 julho 2017

Dunquerque

Talvez tenha que voltar a ver Dunquerque para perceber se aquela estrutura narrativa que mistura uma hora no céu, um dia no mar e uma semana no pontão me convence.

28 julho 2017

Falia num mês, mas isso não é importante agora

Tivesse eu interesse em ser dono de uma livraria, e talvez um dia aconteça, e havia de ser na minha cidade, para os lados de Alfama, metade dos livros seriam de autores portugueses, não haveria escritores de livros de cozinha nem de dietas nem de autoajuda nem de textos de blogs, teria um balcão onde se serviria vinho tinto do Dão ou do Douro e café sem ser em cápsulas, as pessoas podiam devolver os livros de que não gostassem e só teriam entrada os livros que tivessem sido editados há mais de três anos, haveria livreiros que só recomendariam os livros que já tivessem lido, e teriam lido muitos, e as pessoas podiam apaixonar-se à vontade por quem estivesse embrenhado a ler autores russos.

27 julho 2017

#parecesosvelhotes

Lembro-me bem de ver jogar Ricardo Carvalho nas suas últimas épocas de jogador da bola e fascinar-me com a pouca energia que punha nas jogadas e, mesmo assim, a bola ir parar quase sempre ao local onde estava o Ricardo Carvalho, toda a gente a correr para o sítio onde achavam que o bola iria parar e ele a dar meia dúzia de passos para o lado certo e a bola a ir parar ali e não a outro sítio qualquer, ele a resolver as situações com dois toques simples, a descomplicar, e a bola, senhores, a bola a ir para sempre ao sítio onde ele já estava.

Sinto que estou a ficar uma espécie de Ricardo Carvalho e ainda estou a decidir se estou a gostar.

(dando continuidade a este post da Susana Rodrigues)

25 julho 2017

A papa Maizena é mesmo má e só se comia daquilo porque não havia muito por onde escolher

O meu plano de férias é tão estrambólico que, se mostrasse a Salvador Dalí o esquema que desenhei num papel, havia de se virar para mim, arregalar os olhos, cofiar as pontas do bigode e, enfim dizer-me que não se percebia nada do boneco.

24 julho 2017

Post que as pessoas vão gostar muito, muito. (e talvez venham pessoas dizer que também gostavam de Enid Blyton)


Se me apetecesse invocar as minhas memórias mais distantes, e dá-se o caso de apetecer, aparece-me Enid Blyton e as aventuras dos Famosos Cinco, do Clube dos Sete, do Mistério, essa colecção que tanto fez pela autoestima dos que tinha índices de massa corporal acima do aceitável. Enid Blyton veio antes de tudo, só depois fui apresentado à grande literatura mas já era tarde de mais para me afastar dos livros (foi por pouco, o meu tio Bentley de Vasconcellos ofertou-me Eça no dia em que a minha idade passou a ter dois dígitos).

Depois foi o tempo de me ser apresentado outro conceito estranho, o dos livros que chegam a nossa casa sem termos que fazer nada por isso e nem sequer era o nosso dia de aniversário nem o Natal. Eu, que sabia que para chegar aos livros tinha que procurar bem às terças e aos sábados de manhã na Feira da Ladra, que tinha que gerir a ansiedade até Junho, que era o tempo da Feira do Livro, ou tinha que juntar as economias e ir à Bertrand ou à Barata, tudo processos que implicavam que eu fosse ter com os livros, tomei conhecimento do facto do meu vizinho da rua de cima ter um processo diferente, os livros vinham ter com ele, o processo chamava-se Círculo de Leitores. Fascinei-me até ao dia em que percebi que os meus livros eram melhores que os dele, apesar de os meus não falarem tanto de ciências da mente nem terem tantas fotografias de maravilhas do mundo.

A seguir foi o tempo da promiscuidade, de não ter critérios de selecção definidos, de privilegiar a quantidade à qualidade. Não foi só com os livros e foi um tempo bom. Razoável, vá...

(continua mais tarde, entretanto mandaram-me desligar os equipamentos electrónicos)

Memorando para o tempo que falta até eu ter a idade para comprar um Porsche descapotável e, enfim usar uns Ray Ban Aviator

Usa o conjunto de palavras "o tipo é genial" com parcimónia e nunca antes de te munires de informação detalhada para as sustentares.

Só existe uma maneira de perderes volumetria no baixo abdómen e passa por te transformares numa pior pessoa.

O sentido de humor é um conceito de geometria variável, certifica-te que o usas com as pessoas certas no momento certo.

Não comentes quando a temática são os filhos. Ou a amamentação. Ou a vida pessoal. Ou a ideologia política. Ou a orientação religiosa. Ou livros ruins. Ou o que as pessoas vestem. 

Mima o teu pai e a tua mãe, ainda que eles contem aos teus amigos histórias da tua infância que tu preferirias que ficassem guardadas a sete chaves.

Revê aquele episódio do Black Mirror, o das avaliações das pessoas por aplicação de telemóvel.

Fala com pessoas, almoça com pessoas, convive com pessoas. Excepto nas tuas férias.

Sê mais tolerante com os menos rápidos de pensamento. E com os que gostam de gin com coisas a boiar.

Tem sempre um plano B preparado. E um plano C.