18 junho 2017

E é isto

E agora enviam-se sentidas condolências às famílias, reservaremos o nosso melhor semblante grave e sério para citar o número actualizado de mortos, não despegaremos os olhos dos carros retorcidos, a repórter da televisão do Correio da Manhã entrevistará pais e irmãos dos que se foram, perguntando-lhes que tal se sentem, amanhã teremos na primeira página as caras sorridentes de crianças que já cá não estão, havemos de ter luto oficial, não menos que três dias, teremos na ponta da língua o número de homens que estão no teatro de operações, comentaremos, com ar sofrido mas assertivo que o número de mortos tem tendência para subir, o presidente abraçará abnegados bombeiros e ninguém ousará tirar selfies, assumiremos que a coisa foi um acto de Deus  e, evidentemente, apaziguaremos a alma levando pacotes de leite aos bombeiros e transferindo dez euros para uma conta solidária.

E, evidentemente, continuaremos a achar que a guerra contra o fogo se ganha com água e aviões, que uma festa sem foguetes nem é coisa de gente cristã, continuaremos a mandar pela janela as beatas acesas, continuaremos a achar que limpar mato é um custo afundado, continuaremos a fazer de conta que para o ano vai correr melhor.

23 comentários:

  1. As fotografias (e os vídeos) das crianças que morreram, nem sequer demoram até amanhã. Já circulam nas redes sociais ao melhor estilo voyerista de que a nação tanto gosta.

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  2. Também circulam umas teses interessantíssimas que defendem que se arranque a floresta junto às estradas ...

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    1. Anónimo18.6.17

      Então, se não existirem árvores não existem incêndios, toda a gente sabe isso, oh Cuca!
      Tio Pipoco, infelizmente é assim mesmo. E pensar que querem tornar este país numa plantação para Koalas.

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  3. não me serviram os pacotes de leite, nem as garrafas de água, muito menos o valor que transferi, para apaziguar a alma, serviram-me apenas e tão só para ajudar quem neste momento precisa. e são muitos.

    aproveito a sua caixa / que terá muitas mais visualizações do que a minha/ para deixar a conta solidária criada pela CGD.

    CONTA SOLIDÁRIA CAIXA
    IBAN: PT50 0035 0001 00100000 330 42

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  4. Cláudia Filipa18.6.17

    ...mas também ouvi alguém, como a chegada foi por zapping não consegui saber quem era, fiquei a escutar-lhe a lucidez e o saber, e até foi na TVI, que tem aquela tendência para puxar pelo "espectáculo" seja em que circunstância for, mas aquele senhor, convidado do jornal da noite, disse que era preciso pôr os dedos nas feridas e pôs, posso deixar aqui uma das coisas que disse e que foi mais ou menos isto " que a melhor maneira de Portugal homenagear as pessoas que morreram daquela forma horrível, seria, finalmente, deixar de adiar o que anda a ser adiado há trinta anos, a floresta, e que este é um trabalho que deve ser considerado de protecção civil, porque o é, que deve durar os 365 dias de cada ano e não o período considerado mais critico tendo em conta as condições climatéricas, até, precisamente, por estas estarem a mudar, em qualquer altura inesperada pode acontecer um período crítico que apanha todos desprevenidos, deixem-se de "fase Charlie" e comecem de uma vez por todas um trabalho de fundo e progressivo ou vamos continuar aqui, todos os anos mais ou menos nesta altura, a falar destas tragédias lamentáveis". Disse ainda considerar este o maior problema do nosso país neste momento. Pelo que percebi, o senhor (que por acaso, isto ainda ouvi, é engenheiro) anda a tentar, talvez há quase trinta anos, que este trabalho necessário comece.

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  5. Tudo isso faz parte. Afinal de contas, isto ainda é Portugal. Só falha aí na origem do fogo. Desta vez (mas só desta, atente-se), não foi por causa das alvoradas de foguetório.

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  6. se fossem só beatas pela janela...

    também não sei o que é "limpar o mato". é fazer estradas em terra com cinquenta metros de largura por cada 20 de floresta? não será suficiente.

    é com repulsa que ouço os "jornalistas" sôfregos a debitar inanidades. pathos e mais pathos, malditos vampiros.

    é o incêndio florestal
    é a energia
    são os manuais escolares
    é a banca
    é a amnistiada fuga ao fisco

    são os sucessivos imbecis a brincar aos governos e assembleias.
    é uma triste brincadeira.

    por menos que esta tragédia foi toda a gente charlie.

    só falta voltarem a aparecer os "peritos" que dão formação a afirmar que é tudo um nefasto problema de falta de formação.

    pode ser miopia minha, mas só recordo menção de apoio às famílias das vítimas por parte de particulares e ONGs.

    país de merda. parece um manicómio.

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  7. E o planeamento da floresta... floresta?... eucaliptal?...

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  8. Se insistirmos nos erros o resultado será o mesmo...

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  9. Anónimo19.6.17

    e é isto sim, Pipoco.

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  10. Anónimo19.6.17

    Melhor texto sobre este assunto. Aplicável a quase todas as tragédias que acontecem.

    Diz o antigo provérbio que "depois de casa roubada trancas à porta.", o problema é que vemos as nossas casas serem roubadas anos após anos e nada de metermos o raio de uma fechadura.

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  11. Pipocante Irrelevante Delirante19.6.17

    Felizmente não tenho cmtv ou leio tal Trampa. TVI só é sintonizada em caso de emergência.
    Que dizer...
    Que não vale a pena debater a floresta, basta passar qualquer espécie de prós e contras entre 2016 e 1980, serão as mesmas queixas, os mesmos diagnósticos, as mesmas promessas.
    E quem em janeiro por cá estaremos, a discutir as cheias, assim ajude o são Pedro.

    PS: na sicN foram chamando técnicos, que foram recusando consecutivamente apontar falhas ou responsabilidades porque, pasne-se, não possuíam todas as informações. Ainda se perguntam porque os diversos programas de debate, da economia à bola, têm comentadeiros e/ou políticos, ao invés de técnicos.

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  12. o instituto de meteorologia confirma a ocorrência de descargas atmosféricas na região, tanto quanto compreendi com uma precisão de quilómetros. foi mais ou menos por ali.

    poucas horas após a tragédia um senhor da judiciária nosso conhecido veio afirmar que inequivocamente não se tratou de fogo posto. até já tinham identificado a árvore atingida. não esclareceu como.

    todos os anos durante a época deste flagelo ninguém abre o bico acerca da origem dos incêndios, nem sequer daqueles que deflagraram às três da madrugada em cinco pontos distintos. ocasionalmente ainda se ouve um popular em desespero ou um bombeiro em exaustão deixar escapar um desabafo.
    mas este ano, na impiedosa face da tragédia, tivemos a garantia de se ter tratado de *causa natural* quando ainda estava tudo a arder. e até identificaram *a árvore*.

    isto significa que quando a judiciária não identifica logo *a árvore* é fogo posto?

    sou o único paranóico por aqui?

    para cúmulo da insensibilidade, ainda consegui ouvir, no frenesim dos pasquins *noticiosos* uma senhora da *psicologia* positiva afirmar que as vítimas sobreviventes, destruidas pela perda de familiares, se, devidamente acompanhadas, interiorizarem, aceitarem e se ajustarem à nova realidade, podem sair *mais fortes* disto.

    esta merda está toda em roda livre.

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    1. Onónimo, aqui o mais conveniente seria inventarem um fogo posto. Não seja paranóico, se faz favor.
      Se a judiciária diz que não é, é porque não é. É muito fácil perceber-se os casos de fogo posto.

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  13. Insinua-se no horizonte uma conspiração de proporções inauditas.

    Da árvore e do raio à rede de comunicações inoperante, contratualizada em circunstâncias cada vez mais obscuras, passando pelo visível incómodo das diversas personagens políticas e responsáveis técnicos quando confrontadas com narrativas que divergem da linha oficial, linha oficial essa que começa a soçobrar sob o peso esmagador da realidade, da artificialidade e do conluio, não compreendo como toda essa gente consegue dormir sem sentir calafrios de cumplicidade, por acção ou inacção.

    É que desta vez não se tratou *apenas de mais um assalto à e da banca aos bolsos dos contribuintes. Desta vez morreu gente. Morreu muita gente em sofrimento atroz, por incúria, por negligência, e quem sabe se não também por acto criminal.

    Ver esses indignos políticos abraçados a choramingar em público, ver os directores de departamento em plena vassalagem a esta corja falangista, além de consternador, não pode ser suficiente. Não mais.

    São necessárias medidas de responsabilização:
    Quem assinou os contratos de aquisição dos sistemas de protecção inoperantes?
    Quem silencia ano após ano a comunicação social, que na presença de fogos multifocais sincronizados a desoras, nem se questiona acerca da causa raiz?
    Quem tem protelado o reordenamento florestal?
    Quem beneficia com a madeira queimada e o aluguer e venda dos meios de combate a incêndios?
    Quem é que está a investigar isto, sem conclusões (que tenham nexo) após décadas de martírio e morte?
    O que é que fazem parados os C130 modificados para combate a incêndios florestais da força aérea?
    A quem interessa que permaneçam parados?

    Por vezes esquecemos que vivemos num país onde foi assassinado um chefe de governo (embora não tenha sido para ele directamente), numa conspiração que dura há décadas e aparenta envolver algumas das mais *insignes* figuras da nação, e que resultou num pandemónio de comissões de inquérito que só não são de morrer de chorar de tanto rir pela dimensão da tragédia humana.

    Que futuro tem um país sem contra poderes, aqueles que infelizmente acabaram engolidos pelo próprio sistem?

    Trump é mau? Não, é apenas um imbecil com o qual cada vez menos gente fala e mais ironiza. Faz aquilo que quer? Nem por sombras.

    Mas cá, cá temos a longa experiência da perfídia e da traição. Temos um Estado que já não nos pode proteger e uma classe de acomodados que nem sequer equaciona fazê-lo.

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    1. Cláudia Filipa22.6.17

      Fui lendo estes seus comentários e achei que precisava de desabafar, afinal, cada um reage à sua maneira, eu pus-me numa choradeira por exemplo, e então resisti, até agora, no comentário anterior resisti a dizer-lhe que não é verdade que "todos os anos durante a época deste flagelo ninguém abre o bico acerca da origem dos incêndios", todos os anos ouço identificar as situações que foram fogo posto e todos os anos são detidos uma série de indivíduos por fogo posto e isto é falado uma carrada de vezes em tudo o que é comunicação social e há debates sobre "a causa raiz" sim, depois relativamente a isto, "poucas horas após a tragédia um senhor da judiciária nosso conhecido veio afirmar que inequivocamente não se tratou de fogo posto" pode parecer-lhe disparatado, mas penso ser fácil perceber a necessidade de informar que, a juntar àquele inferno, não estava a acrescida monstruosidade do fogo posto, pode perguntar-me o que é que isso adianta a quem morreu, a quem perdeu os seus, a quem ficou sem a sua casa, sem as suas coisas de uma vida, pois não adianta nada, mas posso confessar-lhe que a minha quota de imbecilidade já tinha estrebuchado "epá, se isto foi fogo posto..." e depois murmurou, ainda a minha quota de imbecilidade, "ai, pelo menos não foi fogo posto", bem vê que não concordo nada com isto, "isto significa que quando a judiciária não identifica logo *a árvore* é fogo posto?". Quanto a esse tal de Estado, somos todos nós como muito bem sabe, repare no texto tão assertivo do Pipoco, estamos TODOS metidos ao barulho no texto do Pipoco e quem nos governa não é extraterrestre ou gente de uma safra particularmente diferente, vem de nós, eu acho, talvez levianamente, que vem de um país cujos principais obstáculos a ser mesmo dos melhores, são o compadrio, a mão que lava a outra, o amigo que não empata amigo e que ainda lhe arranja "um bom lugar" independentemente da competência, se assim puder fazer, já com o favor anotado na agenda em forma de crédito para um dia mais tarde caso precise, "se precisares já sabes" e isto em todas as áreas da nossa sociedade, todos temos de querer alterar isto, TODOS, é que, L,État, não c,est moi, por cá, já há muito tempo, L,État somos todos e sim, as coisas são investigadas, tanto que são que os diagnósticos já estão todos feitos, o problema depois é quando começa a mexer-se nos emaranhados de interesses que vão criando sucessivos obstáculos quer para iniciar-se, quer para dar seguimento à cura, e depois, e depois a verdade é que o país se organiza para ajudar, depois o que acontece é que também estamos cheios de qualidades, de coisas bem feitas, de gente de valor e depois ficam assim os defeitos que nos emperram disfarçados e a coisa vai andando (atenção, tudo coisas que eu acho e não mais que do que isso, evidentemente), pela razão de que, este país, quando está mesmo à rasca, junta-se todo e funciona, é por isso que vamo-nos "dando ao luxo" de fiar na virgem, vamo-nos aguentando, é que acaba por aparecer o apoio, a ajuda, aparecem os remendos, o dar de mãos. Deixar de estar sempre a remendar tem mesmo de ter a colaboração de todos.
      Neste contexto, seria contraproducente falar de coisas que funcionam bem, mas, no seu caso onónimo, vou simplificar e dizer que é só pela última frase deste seu comentário, deveria ser obrigado a ver um programa chamado Sociedade Civil, desde o primeiro programa, que não sei em que ano foi, até hoje.

      (desculpe este dizer coisas todo, Pipoco)

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    2. Não compreendo o seu aborrecimento.

      O Estado somos todos nós? Este Estado?
      Deixe de ser ingénua.

      "um país cujos principais obstáculos a ser mesmo dos melhores..."

      dos melhores? dos melhores quê?!

      em que aspecto da sociedade somos "melhores" ou temos sequer o direito de outorgar a nós próprios esse atributo de "ser os melhores" no seio da diversidade? ser os melhores de quê, em quê?

      "este país, quando está mesmo à rasca, junta-se todo e funciona"

      não! este país quando não funciona, quando falha em absoluto, ainda encontra uma réstia de salvação no Altruísmo Individual.

      Está a deglutir a propaganda que lhe andam a meter na cabeça.


      Todos os anos o flagelo dos incêndios florestais é encarado como um desígnio concebido para maximizar o lucro de uns quantos?
      Sim, prendem uns pirómanos, usualmente doentes mentais inimputáveis, que têm o discernimento de se sincronizarem pelo calendário lunar para atear em conjunto vários focos de incêndio em simultâneo numa mesma zona durante a noite, ou para sobrevoar a floresta com engenhos incendiários de avioneta, à impune luz do dia.

      A acepção preferida pela comunicação social, pela selecção que faz dos comentadores e entrevistados à porta de casa, é a de aceitação de um fenómeno natural inevitável. Pelo menos até ocorrerem vítimas mortais.

      É a "época de incêndios", um pouco à semelhança da "época do frio e da chuva".


      Parece-lhe sério ter a judiciária, parcas horas após a tragédia, a garantir inequivocamente que se tratou de causas naturais? Contribui para atenuar a sua angústia?

      Tristemente, não fora a hecatombe da morte de dezenas de seres humanos, este teria sido apenas mais um ano como os outros, independentemente da dimensão do incêndio.


      Acerca dos políticos, "gente do povo":

      Poderíamos ter uma vida equilibrada neste país, não fosse a corja de lacraus que o sangra até se tornar exangue.
      Tem alguns exemplos acima, num comentário anterior.
      Faça um exercício mental simples e verá facilmente que seria possível libertar dezenas de milhões de euros anualmente para atenuar a diferença entre classes sociais, para por exemplo acabar com os sem abrigo, não até 2020, mas agora, até ao final do ano.

      Vivemos no medo. No medo de nunca chegarmos a ter reforma, de perdermos o acesso a cuidados de saúde com alguma qualidade, de perdermos o dinheiro dos depósitos, de ficar sem emprego.
      E podíamos "ser mesmo dos melhores"?!

      Os nossos adoráveis políticos não representam a bonomia da generalidade da População. São filtrados por esses perniciosos grupos de interesse e influência em que se tornaram os partidos políticos. São seleccionados, doutrinados e encaminhados pelas juventudes partidárias. São este e aquele desprezíveis "espertos" incompetentes de duvidosa moral que trepam com o mínimo esforço possível para vender a retalho o pouco que ainda resta a este estado, construído com o contributo de gerações de concidadãos.

      Se pensa que essa gente "é como nós" tem os Portugueses em muito pouca consideração.


      E é muito "democrático" da sua parte, para quem ficou tão aborrecida não sei bem porquê, talvez pelo meu desesperado pessimismo, afirmar: "deveria ser obrigado a ver um programa".

      Saiba que, felizmente, são muito poucas coisas que "me obrigam".


      Continue a sonhar cor de rosa.
      Vai ver que acabará por acordar num pesadelo.

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    3. Cláudia Filipa23.6.17

      Aborrecida?! Garanto-lhe que mesmo nada, eu diria que o onónimo é que se aborreceu e a intenção não era mesmo essa, embora reconheça que o meu tom não foi o melhor, mas tenho tendência para pensar que quem aprecia provocar não se incomodará muito facilmente com alguma provocação alheia, ingenuidades.
      Fosse eu uma pessoa perfeita e o correto seria ir à minha vida e não voltar a responder, mas como estou muito longe da perfeição, só mesmo mais esta vez, e no tom parvo que está a apetecer-me...

      Eu, assim com esta minha cabecinha morena cheia de propaganda, peço perdão por esse acto desprezível e tão pouco democrático (isto de dizer a uma pessoa que deveria ser obrigada a ver um programa, "poças", realmente, não se faz);

      Eu, que tenho os Portugueses em muito má conta e ainda por cima acumulo a incongruência de achar que poderíamos ser dos melhores, (e só mesmo como contraposição àquela tendência para pensarmos que somos os piores em tudo), de facto, que discriminação vem a ser esta em relação a todos os outros povos do mundo? Eu, queria era uma vergastada;

      Dizem, e eu acredito, imagine, que quem manda, mesmo, actualmente, (um actualmente já com algumas barbas) na maior parte do mundo, são os grandes grupos económicos, e sim, até neste campo, o flagelo dos incêndios florestais a contribuir mesmo para maximizar o lucro de uns quantos, e ainda mais, imagine bem isto, ainda estou convencida de que os "perniciosos grupos de interesse e influência" são bem capazes de mover as suas influências amigalhaças para colocar gente nos centros decisórios, abrange, obviamente, os partidos políticos;

      Eu, que acho que qualquer tipo de generalizações atribuídas a uma determinada classe, seja ela qual for, é capaz de ser um bocado abusivo, exemplo: "São este e aquele desprezíveis "espertos" incompetentes de duvidosa moral...", mais uma vergastada que é para deixar-me de cor-de-rosices;

      Eu, que não tenho dúvidas de que o onónimo é um cidadão exemplar, imaculadamente exemplar, aliás, cada Português é um cidadão exemplar, basta ouvir falar e ler cada Português, por ele, isto andava tudo direitinho, o pior é o Português já ali do lado, esse é que coisa e tal, mas depois uma pessoa ouve o Português ali do lado e não, também não, também é um cidadão exemplar, também sabe como tudo se resolveria e rapidamente, sem espinhas, com toda a facilidade, e faria, olé se não faria, mas o país dele não deixou, ou melhor, foi "a corja de lacraus que o sangra até se tornar exangue" e que por sua vez é muito difícil identificar no meio de tanta gente exemplar, ai! não, está bem, mais uma vergastada, Cláudia Filipa, estão todinhos nos partidos políticos.

      Não se chateie, isto é só uma caixa de comentários, bem, repare na lata, eu a dizer isto, que já me arreliei mais do que uma vez por aqui (mas depois arrependo-me)

      Espero continuar a conseguir sonhar cor-de-rosa.
      "Vai ver que acabará por acordar num pesadelo." (Bolas! Espero que não.)

      Bom fim de semana, onónimo (isto pode dizer-se? A um desesperado pessimista? Desculpe, estou mesmo parva, não resisti). Bom fim de semana.

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    4. Imagino que tenha razão.

      Somos todos falíveis. Está desculpada a corrupção e o compadrio. Faz parte da nossa identidade.

      Afinal, quem é que nunca teve ajustes directos com entidades públicas, autarquias, ministérios, escolas, hospitais? Quem é que nunca recebeu por serviços incompletos ou não prestados? Quem é que nunca arranjou emprego por nepotismo? Quem não tem um ou outro pequeno suborno aconchegado num paraíso fiscal?
      É bom estarmos todos no mesmo barco, se me perdoa outra generalização.

      Imagino ainda que tenha tido pouco contacto profissional com aquela gente que tanto repúdio me causa. Não tem mal. Haverá muito tempo para o inevitável.
      E deduzo, abusivamente, que acompanhe pouco as fontes de informação não situacionistas (não, não o faça *obrigada*).

      Não seria tão jovial se o fizesse. Quem sabe. Há pessoas que são sempre joviais. Reconheço que, prematuramente envelhecido, tenho tanto pessimismo no que respeita à classe política quanto falta de paciência nestes assuntos. Muitas vezes *a experiência* é sobrevalorizada. Há coisas que talvez não devêssemos saber, a bem da felicidade.

      Obviamente incluiu recentemente o sarcasmo na sua lista de talentos. Parabéns. É agradável ver gente jovem juntar-se ao grupo. Uma tragédia nacional é sempre uma boa ocasião para começar.

      A Nós! Todos.
      Aos pessimistas ressabiados, aos cínicos, aos sem clube, aos sem religião, aos sem partido, aos criminosos, aos políticos, aos optimistas, aos iludidos, aos eternos *quase melhores do mundo*.

      Bom fim semana.
      Se passar pela praia não esqueça o biquíni cor de rosa.

      foi a crítica implícita ao *somos todos charlie* responsável pela sua inédita conversão ao sarcasmo (tudo bem, felizmente não é um monopólio) ou tem políticos na família?

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    5. Cláudia Filipa24.6.17

      Não, não pertenço a nenhum partido político, nem sequer voto sempre no mesmo, nem tenho políticos na família.

      Aproveito também para esclarecê-lo relativamente à "fase Charlie" aquela a que se referia a pessoa que citei no primeiro comentário, é tão somente isto: "A época de incêndios começa a 15 de maio e termina a 15 de outubro, estando os meios de combate na sua capacidade máxima entre 1 de julho e 30 de setembro, a chamada “fase Charlie”".

      Talvez, de facto, o meu lado pior apareça com "os pessimistas", certamente terei tido azar com aqueles que fui encontrando, é que eram os primeiros a criticar e os últimos a levantar o cu para fazer alguma coisa/ajudar, isto quando chegavam a levantar o cu.

      Todas as conclusões a que chegou depois do que leu do que escrevi são da sua inteira responsabilidade, nomeadamente isto: "Está desculpada a corrupção e o compadrio. Faz parte da nossa identidade."

      Pareceu-me um político daqueles que tanto detesta, particularmente aqui: "É agradável ver gente jovem juntar-se ao grupo. Uma tragédia nacional é sempre uma boa ocasião para começar" relativamente ao sarcasmo.

      A jovialidade, que parece até que o choca, agride, é feitio, não consigo, mesmo que tente muito, ficar macambúzia por muito tempo, sim, mesmo perante as coisas que são más a sério, e ainda bem, acho que não contribuiria nada para o necessário arregaçar de mangas, pôr ainda mais peso no que já é pesado.

      Se isto foi encarado por si como uma medição de pilinhas, a taça é toda sua, já ganhou e não é por eu não ter uma pilinha, e também acho que não devemos incomodar mais o Pipoco que está no Gigi e fazê-lo ter de vir aqui dizer: "Meus senhores, então?" é que até eu já estou enjoada de ler-me.

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    6. Não será necessário. Agradeço-lhe, eu que tanto generalizo. Acabamos sempre por revelar a nossa verdadeira natureza quando contrariados.

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